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Cooperativas apostam em experiência de fintechs para ampliar base de cooperados


Adaptar-se às novas tecnologias é uma necessidade para empresas de praticamente todos os setores econômicos. Não é diferente para as cooperativas de crédito. Seguindo o exemplo das fintechs (financeiras tecnológicas), que ganham espaço no mercado com soluções quase que exclusivamente digitais, muitas cooperativas estão adaptando seus modelos de negócio para atender um público que preza por agilidade nas negociações e facilidade no atendimento.

“O mundo está num processo intenso e acelerado de transformação das formas de relacionamento das pessoas com os negócios. E as cooperativas estão inseridas nisso. O desafio é encontrar a harmonia entre o novo e a manutenção da identidade do cooperativismo”, avalia Harold Espínola, chefe do Departamento de Supervisão de Cooperativas e de Instituições Não Bancárias (Desuc).

O cenário para o qual as cooperativas começam a se voltar, segundo Renato Nobile, superintendente do Sistema OCB (Organização das Cooperativas Brasileiras), considera consumidores mais conscientes – para quem mais vale ter acesso a um produto do que ser o dono do produto em si – voltados à economia colaborativa.

“Percebemos que era necessário equilibrar o modelo de negócio em um tripé: prestar serviços, que é a essência das cooperativas; fomentar mercados; e assumir o papel de provedor de plataformas tecnológicas”, conta.

“Com isso, as cooperativas conseguirão enfrentar os players dos mercados em que vierem a atuar, seja o de serviços financeiros ou o agrícola, o de saúde, o de habitação”, afirmou, durante evento realizado no BC, em Brasília, que discutiu as transformações no setor cooperativista e as inovações no segmento.

O sistema financeiro cooperativo Sicoob,  por exemplo, está desenvolvendo aplicativos focados na abertura totalmente digital de contas, além de abrigar mais de 40 fintechs em um espaço de aceleração criado dentro da empresa. A ideia é que, futuramente, existam cooperativas completamente digitais incorporadas ao Sicoob. 

“Se compararmos a regulação desse segmento digital no Brasil e no resto do mundo, estamos numa posição privilegiada. Já foram regulamentadas instituições de pagamento. O mercado de meios eletrônicos de pagamentos está sendo mais bem regulamentado. E isso é fundamental para a digitalização dos serviços financeiros”, avalia Marco Aurélio Almada, diretor-presidente do Bancoob (Banco Cooperativo do Brasil, que atende apenas cooperativas). 

Cidmar Stoffel, diretor-executivo de Produtos e Negócios do Sicred (Sistema de Crédito Cooperativo), também acredita que as oportunidades para o cooperativismo no Brasil exigem das cooperativas adaptação à economia colaborativa. A instituição está formatando plataforma digital que promova o engajamento a partir de comunidades e programas de fidelidade. 

Raio-X do cooperativismo brasileiro
A participação das cooperativas de crédito no Sistema Financeiro Nacional é de 3%, ultrapassando 15% de market share do segmento em alguns estados. São 1.041 cooperativas, com 5.722 pontos de atendimento, de acordo com levantamento do BC realizado em dezembro de 2016. Segundo dados da OCB, ao final do ano passado eram mais de 9 milhões de cooperados, com ativos de R$221 bilhões, depósitos de R$103 bilhões, empréstimos de R$81 bilhões e um patrimônio de R$36 bilhões. 
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